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5.8.10

Um Novo Jaguar


Eu quero sentar e conversar
Deitar sem me preocupar
Viajar sem destino
Chorar como um menino
Que jogou a bola na casa do vizinho.

E agora José?
O Mundo é Bão, Sebastião.
Você é meu amigo de fé.
Ou será só imaginação?

Deixe escorrer toda sujeira
E viva a existência
Sem a vida você está sujeita
A ser uma grande negligência.

Um Jaguar acordou
Olhou pro lado e viu amor
Um jaguar se deitou
Estava sentindo muita dor
Um Jaguar novo nasce
E traz consigo esperança
Em encontrar na cotidiana dança
Um novo jeito de dizer.


[Dizer o quê?
Dizer o quê?]


O que nunca foi dito.
Simplesmente.

11.7.10

A Volta da Chata

O Jaguar uma vez já me expulsou. Pra quem não lembra eu estava aqui quando ele começou, mas não sei como, quando logova não havia mais Jaguar...e com a minha vida corrida eu nem podia fazer questão de voltar. Mas agora estou de volta (ao menos nas férias) pra tentar colaborar com o blog!

Pra começar, minha vida está bem diferente, agora estou na faculdade, e com a faculdade, veio o grupo de teatro de lá. E com isso, vieram as reuniões/festas do grupo, e como sempre, meu "modo de vida" é diferente do de todo mundo. Sempre tem muita bebida alcoólica nessas festas, e eu não bebo, mas não falo nada, fico na minha com a garrafa d'água presa à minha mão.Confesso que até hoje isso era mais natural porque eu não convivia com pessoas bebendo, mas quando todo mundo começa a beber e tu diz que não bebe, é até estranho, porque até então, todos ainda estão sóbrios e beber parece que não gera maiores efeitos. Isso passa rápido, logo que todos começam a ficar estranhos: falam alto, ficam sonolentos, beijam quem tiver pela frente e o pior vomitam e dão vexame.

Vendo meu amigo num estado bem degradante sentado na sala, todo vomitado, dando trabalho pra todo mundo e quase em coma alcoólico, eu tive certeza de que eu não preciso disso. Okay, quem sabe beber não merece ler isso, mas de qualquer forma, é assim que me sinto bem. O chato disso é não ter com quem compartilhar essa ideia. Há alguns dias, um amigo escreveu numa rede social exatamente o que eu senti, ele também começou a ir em festas, e também não bebe, seu relato falava em "NÃO DEIXAR DE SER EU", e realmente, é isso. O que me entristece, é que esse mesmo cara não fala mais comigo, tive muito o impulso de puxar assunto com ele sobre isso, mas eu iria ficar triste com a reação dele que não seria boa. Imagino que sinto o que todas as pessoas sentem quando resolvem se atrelar à alguma ideologia, fazem isso porque não têm com quem compartilhar aquilo que acham melhor pra elas mesmas. A ideologia é um ponto de encontro de pessoas mais semelhantes.

No caso de não beber, a ideologia disponível é a Straight Edge: modo de vida associado a música Punk/Hardcore que defende a total abstinência em relação ao tabaco, ao álcool e as drogas ilícitas.

Opa, além de não beber ainda tem Hardcore incluído, perfeito! Vou tatuar um X na mão e ser feliz. Não! Não consigo me apegar à ideologias. Há sempre aquele ar de "essa é a verdade absoluta", quem bebe é otário e não deveria existir. E não gosto muito disso. Bebe quem quiser (mas não me encha o saco) e eu também tenho o direito de não querer. Quando me perguntam se sou straight edge dá até uma vontade de dizer que sim, só pra ficar claro meu "modo de vida" e não ter que responder zilhas de perguntas. Mas respondo que não, até porque geram o dobro de perguntas e porque não me sinto associada ao movimento nem nada. Apenas concordo com a forma de lidar com certos aspectos.

É isso, mais um dos aspectos insuportáveis da minha personalidade, já que sou "Los Hemanos" demais pro mundo.

30.1.09

SONETO LXXXVIII

Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.
Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.
Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,
Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto.
William Shakespeare

9.11.08

Neologismo.

Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo
Teadoro, Teodora.

Manuel Bandeira

3.9.08

Um pouco de Neruda.

Bem amigos, de fato, agosto foi pra mim o mes do desgosto. Uma porção de coisinhas chatas, mas enfim, tudo tende a passar.Nesse tempinho, li Pablo Neruda. Deu vontade de dividir uma poesia que pra mim, faz bastante sentido.

Soneto XCVI

sobrevive a mim com tamanha força
que acordarás as fúrias do pálido e do frio,
de sul a sul, ergue teus olhos indeléveis,
de sol a sol sonha através de tua boca cantante.

Não quero que tua risada ou teus passos hesitem.
Não quero que minha herança de alegria morra.
Não me chames. Estou ausente.

Vive em minha ausência como em uma casa.
A ausência é uma casa tão rápida
que dentro passarás pelas paredes
e pendurarás quadros no ar.

A ausência é uma casa tão transparente
que eu, morto,te verei,vivendo,
e se sofreres, meu amor,
eu morrerei novamente.

Cem sonetos de amor
(Noite)Pág.108,Ed.L&PM